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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Jogo # 272 Boas intenções dominam empate entre Flamengo e Bahia no Engenhão com poucas faltas cometidas e finalizações certas

O Flamengo deu espaço, o Bahia aproveitou como pode, os mais de 30 mil torcedores que foram ao Engenhão viram um bom jogo, mas saíram frustrados, já que ninguém queria ver o 0 a 0 no placar ao final da partida.

Mas foi um bom jogo mais nas intenções do que na prática.

Assim como aconteceu contra o Fluminense, o time do Flamengo apostou na técnica. Fez apenas 5 faltas em toda a partida, contra 24 do Bahia, que ficou ali pela média do que se vê no futebol brasileiro.

Como teve liberdade para armar suas jogadas, o Bahia acabou sendo mais perigoso, ainda que os números de finalizações das equipes possam passar uma falsa impressão de equilíbrio.

Mesmo jogando como visitante, o Bahia conseguiu 13 finalizações, sendo 5 certas. Mas as suas finalizações certas foram bem mais perigosas que as do Flamengo, que conseguiu 18 finalizações e também 5 certas.

Das 5 finalizações que conseguiram mandar realmente no gol, os flamenguistas chutaram 4 em cima do goleiro, com Renato Abreu e Léo Moura finalizando da intermediária no primeiro tempo e Adryan e Nixon, que entraram após o intervalo, chutando da esquerda da grande área, sem grandes dificuldades para o goleiro.

A única finalização que levou real perigo foi conseguida por Ibson, aos 47 minutos do segundo tempo. O volante aproveitou uma rebatida da defesa para completar da direita da grande área, o goleiro quase passou da bola, mas conseguiu esticar o braço e dar um tapa suficiente para que a bola não entrasse no gol. Ótima defesa de Marcelo Lomba.

O Bahia exigiu mais trabalho.

Gabriel conseguiu 4 das 5 finalizações do Bahia. Aos 18 minutos de jogo, recebeu passe de Neto e da direita da grande área acertou um chutão a meia altura, que o goleiro Felipe conseguiu espalmar para escanteio. Ótima defesa.

Aos 20 do segundo tempo, perdeu sua melhor oportunidade: recebeu um excelente passe de Kléberson, teve espaço e tempo para escolher o que fazer, bateu forte, no canto direito, mas em cima do goleiro Felipe, que salvou.

Nas outras 2, não foi perigoso.

Cláudio Pitbull teve a outra chance real de gol, aos 28 minutos do primeiro tempo. Roubou a bola no campo de defesa, disparou pela direita e chutou forte de fora da área, mas o goleiro Felipe espalmou para escanteio.

Na prática, foi isso: 1 chance real do Flamengo contra 3 do Bahia, em um jogo muito movimentado principalmente porque o Flamengo assumiu o risco de renunciar ao antijogo.

Não é pouco. Bom futebol não se pratica apenas buscando o ataque, e o Flamengo mostrou ótimo futebol ao combater o adversário sem recorrer às faltas. Foi louvável e mostra a evolução da equipe.

domingo, 30 de setembro de 2012

Jogo #262 Fred é cirúrgico com 1 gol em 2 finalizações e Flamengo mata sua torcida do coração ao perder pênalti aos 41 do 2º tempo

O primeiro Fla-Flu do segundo centenário foi acima de tudo 1 jogo técnico. E na técnica, atualmente, o Fluminense é superior. Muito superior. E não apenas em relação ao Flamengo.

Desde o início, as 2 equipes pareciam ter feito 1 pacto pelo bom futebol. A bola foi rolando de pé em pé na maior parte do tempo, mas pelas ironias características dos 100 anos do Fla-Flu, o gol saiu em 1 cruzamento de Deco, de primeira, de esquerda, para 1 golaço do cirurgião-artilheiro Fred, de voleio.

Fred abriu vantagem na artilharia do Brasileirão com 13 gols. Se na média do campeonato ele faz 1 gol a cada 3 finalizações, foi ainda melhor no Fla-Flu: fez apenas 2 finalizações, 1 para fora outra para o gol. Uma fase espetacular do melhor artilheiro do Brasil.

Então, o jogo mudou, a bola começou a subir mais, e o que se viu daí para a frente é preciso ser compreendido dentro do histórico da competição e para isso servem as estatísticas.

Melhor ataque e melhor defesa da competição, o elenco do Fluminense é absurdamente seguro para se defender. Deixa o adversário ter a posse de bola e fazer o que quiser com ela e se posiciona de forma a anular lance a lance. E com a fase de Fred, é seguro também no ataque, tem consciência de sua capacidade de furar as defesas adversárias. Faz 1 gol e poupa energia. Uma equipe sustentável. E insuportável para quem não é tricolor.

Vale lembrar: melhor ataque da competição, o Fluminense é um dos clubes que menos vezes chuta a gol. É uma equipe cirúrgica.

E foi o que se viu: deu espaço para o Flamengo.

Foram 11 finalizações do rubro-negro, 4 certas, contra 9 do Fluminense, 4 certas.

Foram 15 cruzamentos do Flamengo contra 5 do Fluminense (2 finalizações de cada, mas 1 gol do Fluminense, 1 golaço).

Foram 13 escanteios para o Flamengo contra 2 para o Fluminense.

Do que se esperava do jogo, Fred correspondeu. Vágner Love, não. O flamenguista fez apenas 1 finalização, após assistência de Wellington Silva, e a defesa cortou. Isso, aos 49 minutos do segundo tempo. Verdade que teve 1 gol anulado aos 42 minutos do segundo tempo, mas ele estava realmente impedido.

Sua primeira finalização poderia ter sido aos 41 minutos da etapa final, quando Bottinelli cobrou e perdeu pênalti cometido por Diguinho em Wellington Silva. Love já tinha perdido 1 pênalti, e Bottinelli pediu para bater. Bateu. Mal.

Como a equipe cirúrgica é a do Fluminense, o Flamengo matou sua torcida do coração. De frustração e tristeza.

Fred consegue 1 gol a cada 3 finalizações, e Vágner Love 1 gol a cada 6 tentativas, mas 1 fez 3 gols de pênati, e o outro perdeu

Fred carrega as esperanças dos tricolores, Vágner Love a de todos os que ainda sonham com o título.

Flamengo e Fluminense se enfrentam hoje, às 16h, no Engenhão, e as atenções estarão sobre os goleadores, que disputam a artilharia do Brasileirão.

Cirurgião-artilheiro das Laranjeiras

Fred disputou 17 partidas pelo Fluminense, foi substituído em 4, mas isso no início da competição. Fez 39 finalizações, sendo 23 certas para conseguir 12 gols e se tornar o artilheiro isolado da competição, pelo menos até o Fla-Flu começar. De cada 3 finalizações que consegue, 2 são certas e 1 vira gol. Fez 3 gols de pênalti (2 nos 4 a 0 sobre o Bahia e 1 na vitória por 2 a 1 sobre a Ponte Preta, aos 44 minutos do segundo tempo). Não perdeu nenhum.

Fred fez 3 gols de cabeça, 7 com o pé direito (3 de pênalti) e 2 com a perna esquerda.

11 companheiros lhe mandaram a bola para ele tentar o gol, mas seu fiel escudero é Thiago Neves. Dos 12 gols de Fred, 4 foram marcados após assistência, bola levantada, cruzamento e escanteio de Thiago Neves, que participou de 8 das 39 finalizações de Fred. Jean é outro bom companheiro: participou de 7 finalizações do goleador, mas apenas 1 virou gol, após cruzamento da direita.

Flamenguista esbanja saúde

Vágner Love fez 25 partidas pelo Flamengo (só ficou de fora da 9ª rodada, contra o Bahia, em Salvador após levar o terceiro cartão amarelo, por reclamação, exatamente contra o Fluminense, no primeiro turno). Não foi substituído em nenhum jogo. Isso é o que se pode chamar de vigor físico.  Acertou traves 4 vezes (Fred nenhuma). Conseguiu 64 finalizações, 30 certas e 11 gols. É bem menos eficaz que Fred. Em média, faz 1 gol a cada 6 finalizações (Fred, 1 gol a cada 3). Bateu 1 pênalti e perdeu, na vitória por 2 a 1 sobre o Atlético-GO.

Se é menos técnico, Vágner Love compensa com uma disposição incrível. No jogo passado, fez gol de puxada no Atlético-MG. Tem ainda 2 gols de cabeça, 6 com o pé direito e 2 com o esquerdo.

Nada menos que 18 companheiros já colocaram bolas para Love fazer suas finalizações e gols. Até mesmo o goleiro Felipe já mandou bola para ele chutar para o gol (contra o Santos). Quem mais colaborou foi Ibson, 8 vezes, mas nenhuma delas entrou no gol. Adryan mandou 5 para ele finalizar e 1 virou gol. Vágner Love é o centro de todas as atenções, fora e dentro de campo.

Abaixo você visualiza de onde saíram as finalizações de cada 1 deles. Os 2 costumam finalizar mais da esquerda da grande área e por isso mesmo é curioso constatar que Vágner Love é muito, mas muito, mais eficaz quando conclui do lado direito da área. Também tenta mais chutes frontais, de fora da grande área.

O círculo azul reúne finalizações e cobranças de pênalti (já que eles não cobraram nenhuma falta direta). Esses fundamentos estão separados nos círculos acima deles. Observe as legendas para ver as cores correspondentes a gols, conclusões defendidas e para fora ou na trave de cada setor do campo.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Jogo #260 O talento da raça de Vágner Love faz a diferença para o Flamengo vencer o Atlético-MG e chegar ao top 10 do Brasileirão

O talento da raça fez a diferença. Mais Flamengo impossível.

Desta vez, nada se colocou entre Vágner Love e o gol.


Love não marcava desde a 21ª rodada, contra o Internacional. Mas desde o jogo contra o Vasco, na 18ª, que não marcava e saía de campo comemorando uma vitória. Foram 8 jogos nesse jejum, mortal para um goleador como Love.


A alegria estava em falta com o artilheiro, não o contrário. Ele já tinha feito 2 assistências para os 2 gols do Flamengo contra o Atlético-GO, mas faltava o inconfundível sorriso do goleador.

Contra o Atlético-MG, ele voltou. Aos 20 minutos do segundo tempo, Cléber Santana bateu escanteio, González finalizou, a defesa evitou o gol, Cáceres tocou de cabeça e Vágner Love, de puxada, mandou a bola no ângulo.

O Atlético-MG tentou estragar a festa de Love e do Flamengo. Entrou em campo tímido, lento, e assim foi durante todo o primeiro tempo. Fez 3 finalizações apenas, todas depois dos 40 minutos. Todas erradas.

Mas o Galo surpreendeu no início do segundo tempo, fazendo a pressão que não se viu antes. E chegou ao empate logo aos 4 minutos. Escudero cruzou da ponta esquerda, a defesa cortou, mas a bola sobrou para Jô bater de virada para o gol.

A entrega de Amaral e de cada flamenguista para anular Ronaldinho Gaúcho e cia. acabou fazendo a diferença. Além do gol, o Atlético só conseguiu mais 2 finalizações certas, mas sem levar muito perigo, em cima do goleiro Felipe.

Assim, a festa atleticana durou pouco. Na primeira finalização que conseguiu no segundo tempo, fez seu segundo gol. Aos 10 minutos, Wellington Silva fez ótima jogada pela direita e cruzou para Liédson marcar de voleio.

Com uma marcação muito bem feita, o Flamengo se impôs e quase conseguiu o terceiro gol aos 38 minutos do segundo tempo, quando Réver já tinha sido expulso por agredir González violentamente com o braço. Wellington Silva cruzou novamente da direita, a defesa cortou, a bola rebatida ficou para Cléber Santana, que chutou da intermediária, a bola desviou em Liédson, mas o goleiro Victor se esticou ao máximo e deu um leve toque na bola, que foi na trave.

Sem Bernard, o ataque do Atlético-MG ficou muito mais previsível e o Galo, agora, está a 4 pontos do líder Fluminense com o mesmo número de jogos, mas na próxima rodada tem Fla-Flu...

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Jogo #244 Focado mesmo sob pressão intensa, Flamengo empata com o 3º colocado Grêmio com golaço de Adryan em cobrança de falta

Está nascendo 1 novo líder na Gávea: Adryan.

No que foi marcada a falta em Ibson, Ramon pediu a bola: "É minha essa, é minha, passa a bola aí". Primeiro Vágner Love segurou, depois, ofereceu. Mas a cobrança ficou para Adryan, um momento curioso e que pode ser uma marca na história do Flamengo.

Ramon ficou conversando com ele enquanto Adryan ajeitava a bola. Outros jogadores se aproximaram. Léo Moura, Ibson, Liédson, a nata. Falaram alguma coisa, saíram. Adryan se concentrou. Certamente, dali já acertou várias e várias vezes o gol nos treinos. 18 anos e "rostinho de 14".

Ele se concentrou, olhou a barreira, olhou o gol, se abaixou, ajeitou de novo a bola, a colocou um pouquinho mais para a direita.

Ramon se aproximou novamente. Parece até ter reafirmado a ele "você já acertou várias daqui, hein", com um tapinha nas costas. E se afastou.

Adryan se afastou também. Da bola, de Ramon, da barreira, do Engenhão, de tudo. Naquele momento, só havia a bola e o gol. 5 passos curtos que o levaram muito mais longe.

Quando foi para a bola, não havia mais nada. Nem Ramon nem Engenhão nem dúvida. Aos 15 minutos e 56 segundos do segundo tempo, a bola viajou até o ângulo esquerdo, e o goleiro Marcelo Grohe não teve o que fazer a não ser evitar bater a cabeça na trave. E mesmo assim, foi por pouco.

Rompeu-se o silêncio com o grito de gol da torcida rubro-negra, mas Adryan estava tão longe que não comemorou. Ramon o ergueu como a um troféu. Quando Cáceres chegou afoito para estravasar com um grande abraço, Adryan ainda estrava em transe. Nem os tapinhas no rosto que lhe deu Ramon o tiraram de lá. Nem o tapão nas costas dado por Ibson. Nem o safanão de Liédson nem o puxão de Léo Moura para que voltassem todos para o campo de defesa para que o jogo fosse reiniciado. Quem sabe a virada?

Léo Moura ficou olhando o semblante daquele menino de 18 anos. Ele estava diferente. Ramon também percebeu. O segurou pelo peito esperando pela volta de Adryan àquele corpo. Talvez aquele Adryan não volte nunca mais. Prestem atenção neste novo.

Ele voltou para o campo de defesa, assentiu com a cabeça com Léo Moura, com mais alguém. Seguiu em frente. Bateu mais 1 falta da intermediária, fez 2 cruzamentos, deu 1 assistência para finalização de Bottinelli.

Reafirmou no final, aos 47 minutos do segundo tempo, a vontade que tinha de conseguir a vitória. Cruzou toda a área para ir cobrar 1 escanteio que Frauches já se preparava para bater.

Foco, talento, vontade de vencer, tudo o que o Flamengo precisa. Um ídolo? Um que cobra faltas como Zico? É até mais do que o Flamengo precisa, mas nunca é demais, nesse caso.

Quando o jogo acabou, a escalação do Flamengo era: Felipe (28 anos); Wellington Silva (24 anos), Frauches (faz 20 neste mês), González (32) e Ramon (24); Cáceres (27), Ibson (28), Bottinelli (26) e Adryan (18); Nixon (20) e Vágner Love (28).

Média de idade de quase 25 anos. Com garotos talentosos ganhando experiência.

Durante o jogo, o Flamengo esteve a apenas 1 ponto da zona de rebaixamento. Em um momento de pressão, Adryan conseguiu mostrar seu melhor e Nixon teve 1 chance clara de virar o placar, mas o goleiro Marcelo Grohe saiu muito bem a seus pés, após passe extraordinário de Vágner Love.

Ah, se o torcedor tivesse interesse em parar e pensar que seu clube está em um momento de renovação muito importante... Como não se espera isso das arquibancadas, é necessário preparar o time, também, para a realidade de vaias e pressões. Se preparar para enfrentar o pior reduz em muito a chance de o pior acontecer. Ainda mais em vésperas de Copa do Mundo no Brasil. Que sabe se Adryan estará lá? Futebol é momento.

Há alguns anos que os clubes mais bem estruturados focam jogo a jogo, mas com a cabeça na temporada, em objetivos que dependem do patamar de cada equipe.

O próprio Grêmio, que desta vez colocou a bola no chão, tem como projeto declarado fazer 37 pontos no segundo turno, como afirmou o técnico Vanderlei Luxemburgo antes do jogo. E sua equipe terminou apenas com Leandro sendo menor de 23 anos (19). A média de idade do Grêmio é de quase 28 anos.

Dentro de sua realidade, chegou ao gol aos 17 minutos do primeiro tempo, com Marcelo Moreno completando por cima do goleiro um passe sensacional de Elano. Ficou a sensação de que o Grêmio poderia ter feito mais, mas o empate como visitante se enquadra nos projetos de longo prazo.

domingo, 29 de julho de 2012

Jogo #123 São Paulo atua com 12 jogadores em campo e goleia o Flamengo por 4 a 1 apesar de ótimas defesas do goleiro Paulo Victor

Sim, o São Paulo chegou a ter 12 jogadores em campo para enfrentar o Flamengo. Foi aos 30 minutos do segundo. Bottinelli caiu sobre as pernas de Rodrigo Caio, que pediu atendimento médico. O técnico Ney Franco tinha determinado a saída de Maicon para a entrada de João Schmidt, mas como Rodrigo Caio havia saído na maca, mudou a substituição e manteve Maicon em campo.

Sendo atendido, Rodrigo Caio não percebeu sua substituição, saiu do carrinho maca e voltou ao gramado batendo o lateral. O quarto árbitro que percebeu a lambança. Rodrigo Caio levou o amarelo e deixou o campo.

Foram 26 segundos, mas o São Paulo enfrentou o Flamengo com 12 jogadores.

Dá até para os mais inconformados falarem que no resto do jogo a arbitragem é que foi o 12o jogador tricolor. Será um grande exagero, mas no início do segundo tempo, com o São Paulo vencendo por 2 a 0, o juiz Jailson Macedo Freitas não deu um pênalti para o Flamengo.

Seria um exagero porque o estreante bandeira Adailton José de Jesus Silva marcou 2 impedimentos. Errou logo no primeiro que marcou, prejudicando o São Paulo quando Jadson disparava sozinho pela esquerda da grande área. O outro acertou, contra o Flamengo. Foram marcados 5 impedimentos contra o ataque rubro-negro, 4 certos e 1 duvidoso.

Foi um jogo absolutamente técnico. E na técnica, prevaleceu a equipe que tem a defesa mais bem montada e um ataque que se movimenta muito.

Por saber que no retorno de Rogério Ceni ao time o São Paulo buscaria a vitória de todas as formas para honrar seu eterno capitão, o Flamengo ficou fechado no primeiro tempo. O rubro-negro não finalizou vez alguma no primeiro tempo. Zero, também porque a defesa do São Paulo anulou todas as tentativas, mas principalmente porque o Flamengo ficou fechado.

Por sua vez, o São Paulo conseguiu 7 finalizações no primeiro tempo, 5 certas. E apesar de ter sofrido 2 gols, o goleiro Paulo Victor se destacou. Dos 15 minutos aos 25 minutos, o goleiro flamenguista conseguiu evitar 3 gols certos: tirou com a perna direita uma finalização de cabeça de Luís Fabiano, deu um tapa na bola em finalização de puxada de Luís Fabiano em uma bola que estava muito à frente para o atacante chutar mais ainda assim acertou o cantinho direito do gol e, na cobrança desse escanteio, saiu nos pés de Rodrigo Caio para evitar o gol após desvio de cabeça de Luís Fabiano.

Até os 40 minutos, o plano do Flamengo dava certo: fechado na defesa, levava o empate para o vestiário. Não deu. Aos 41 minutos, Rodrigo Caio recebeu na direita da intermediária, Ademilson se deslocou para a direita, mas Rodrigo fez a assistência para o meio. González demorou para dar o bote, e Maicon chutou colocado, tirando do goleiro. A bola entrou passando perto do pé da trave direita, sem chance para o goleiro. Milagre é mais caro.

Pelo bombardeio do primeiro tempo, o 0 a 1 ainda estaria de bom tamanho para o Flamengo, só que aos 46 minutos, Jadson bateu escanteio da esquerda com muita curva no segundo pau, Paulo Victor saiu mal do gol e Luís Fabiano cabeceou livre da pequena área: 2 a 0.

Com a desvantagem, o Flamengo voltou mais solto para o segundo tempo, conseguiu sua primeira finalização no jogo logo aos 4 minutos, em uma cobrança de falta de Bottinelli na barreira.

Aos 9, o lance polêmico: Ibson tocou para Bottinelli, Cortez chegou atrasado e pisou no pé do adversário que finalizava em gol. Errou o árbitro.

Apenas 5 minutos depois, o São Paulo fez 3 a 0: González saiu da área para dar combate e fez falta em Ademilson, mas o juiz deu a vantagem. Cortez ficou livre às suas costas, recebeu, teve tempo para olhar e cruzar da esquerda da grande área na cabeça de Luís Fabiano, que não teve dificuldade para cabecear às costas de Welinton.

A defesa do Flamengo não dava mais conta da constante mobilidade do ataque tricolor.

Aos 21, Léo Moura cruzou da direita para Ramon dominar e bater forte no canto: 3 a 1.

O goleiro Paulo Victor ainda evitou mais 1 gol, aos 45 minutos, salvando com a mão esquerda, no reflexo, chutaço de Jadson. Mas não teve a mesma sorte aos 47 minutos. Luís Fabiano levantou bola da intermediária central para a direita da grande área e no que Paulo Victor foi sair para fechar o ângulo, Jadson chutou no contrapé do goleiro, de trivela.

Apesar do 4 a 1 no placar, foram mostrados apenas 2 cartões amarelos, 1 para cada equipe, no segundo tempo. Na técnica deu São Paulo.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Jogo #116 Empate com a Portuguesa levanta questão sobre se torcida do Flamengo vai ter paciência durante renovação da equipe

Zico estreou no Flamengo em 1971. Quem tinha 10 anos na época e já sabia o que era futebol, agora está com 51. Não é a faixa média do torcedor de estádio. Zico só foi se firmar em 1974. Como o time já era ajustado, foi campeão estadual em 1972 e 1974 e só em 1978, 79 e "1979 especial" é que começou a se impor, com um tricampeonato estadual. Só foi conquistar seu primeiro Brasileiro em 1980. Isso com Zico e todo aquele time.

Agora, aconteceu o que o flamenguista queria: caiu Joel Santana. E o Flamengo contratou um ótimo treinador. Acima do empate por 0 a 0 com a Portuguesa em casa, a estreia do técnico Dorival Júnior no comando do rubro-negro carioca fica marcada pela estreia de Mattheus, "O Filho de Bebeto", como titular neste Brasileirão.

Não só isso: foi o primeiro jogo em que Adryan e Mattheus começaram juntos como titulares. Isso é um forte indicativo do que deve ser o trabalho de Dorival Júnior, que desde o ano passado estava no Internacional, um dos clubes que mais bem vêm fazendo o trabalho de revelação e lançamento de novos atletas.

Dorival Júnior teve acesso aos bastidores desse trabalho vitorioso do Inter, que nos últimos 11 anos conquistou 8 campeonatos estaduais, 2 Libertadores e 1 Mundial com trabalho árduo, uma estrutura defensiva consistente e atacantes inteligentes e velozes. Mas, principalmente, trabalho árduo, com treinos específicos e conscientização das exigências atuais do futebol.

Mesmo com os rubro-negros torcendo um pouco o nariz, na defesa jogou Welinton, de 23 anos. Ele não começava como titular desde a 4a rodada. Estamos na 12a. Entre os titulares estavam Ramon, de 24 anos, Luiz Antônio, 21, Mattheus, 18 e Adryan, 17.

No banco de reservas estavam Marcelo Carné, 22 anos, Marllon, 20, Amaral, 24 e Thomás, 19. E Dorival Júnior e seus assistentes.

A equipe foi vaiada e chamada de "sem-vergonha". Claro, a voz da arquibancada é parte do jogo e do desenvolvimento dos atletas. O torcedor flamenguista vai aceitar que existe um preço a ser pago pela reformulação de elencos ou vai queimar uma geração de jogadores talentosos?

O Flamengo fez 16 finalizações, 4 certas. O time foi lento, mas Adryan e Mattheus assumiram o papel de armar as jogadas de ataque. Uma responsabilidade e tanto no Flamengo, agora nos pés deles.

Quanto à Portuguesa, não há muito o que dizer. Fica parecendo que nem mesmo novenas em todas as igrejas de Nossa Senhora de Fátima e de Nossa Senhora Aparecida aliadas ao sacrifício de bichos ao som dos tambores faria com que os jogadores transformassem as jogadas de ataque em gols.

Jogou bem, fez 15 finalizações e as 4 certas foram em cima do goleiro. Ainda acertou o travessão. Aos 42 minutos do segundo tempo, Diego Viana subiu sozinho e cabeceou por cima um cruzamento perfeito.

Mas um mérito é inegável. É uma das equipes que mais finaliza, a equipe com menos gols marcados (7, ao lado do Santos) e está na zona de rebaixamento (com 10 pontos, ao lado de Palmeiras e Santos), mas  está assimilando isso muito bem. Joga o jogo, não se abala e demonstra a maturidade de quem sabe que isso faz parte. Se vai conseguir reverter é outra história. Aparentemente, sobrenatural.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Jogo #105 Cruzeiro erra todas as finalizações no segundo tempo, mas Fábio garante vitória sobre o Flamengo

Nem se quisessem derrubar o técnico Joel Santana, Vágner Love e Hernani conseguiram fazer o que se passou na pequena área do Cruzeiro aos 33 minutos do segundo tempo, em Belo Horizonte.

Léo Moura recebeu na direita da grande área, tocou para Vágner Love na pequena, ele chutou, o goleiro Fábio abafou, bola sobrou no braço de Hernani, foi travessão, voltou para Love, que chutou e o goleiro abafou novamente, e no rebote, Hernani completou para o gol, mas o lateral Marcelo Oliveira salvou em cima da linha. Inacreditável.

Quase tão inacreditável quanto saber que o Flamengo finalizou 22 vezes, apenas 5 certas, não conseguiu marcar e perdeu por 1 a 0 para o Cruzeiro, que mesmo jogando em casa finalizou 13, apenas 4 certas, mas conseguiu fazer 1 gol.

Foram 12 assistências do Flamengo, um claro exemplo de seu jogo de equipe. Começou melhor a partida, espremendo o Cruzeiro na defesa, fez 5 finalizações nos primeiros 15 minutos de jogo, mas não acertou o gol em qualquer 1 delas. E aí o Cruzeiro é que passou a atacar e só ele atacou até os 30 minutos. Parecia até ensaiado. Foram 4 finalizações, 2 no gol, mas em cima do goleiro, e 2 para fora. Então o Flamengo retomou os ataques, fazendo 6 finalizações entre 35 minutos e 41 minutos, com assistências de Luiz Antônio, Renato Abreu e Adryan. Nada dava certo.

Aos 44 minutos do primeiro tempo, Ceará foi ao ataque e da ponta direita fez um cruzamento para Borges completar de cabeça para o gol.

O segundo tempo seguida da mesma forma, sem uma equipe se impondo e com elas se alternando em ondas de ataque: 2 finalizações do Cruzeiro, 4 do Flamengo, 3 do Cruzeiro, 5 do Flamengo, 1 do Cruzeiro, 2 do Flamengo. E acabou. O Cruzeiro não fez 1 finalização certa que fosse no segundo tempo, o que parece ser a tendência desta rodada, mas se defendeu muito bem com a vantagem no placar, mérito de todos, mas com as duas defesas que fez nas finalizações de Vágner Love, ambas na pequena área, com 3 segundos entre elas, Fábio brilhou. E muito.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Jogo #92 Corinthians expõe fragilidades do Flamengo e Joel erra ao colocar Adryan quando já perdia por 2 a 0

A arbitragem prejudicou o Flamengo. O auxiliar Roberto Braatz, marcou 2 impedimentos errados no primeiro tempo. O primeiro deles quando a partida ainda estava empatada em 0 a 0 e Botinelli iria disparar com muita liberdade pela esquerda.

O segundo, quando o Corinthians já vencia por 2 a 0, e Hernane tinha condições quando a bola foi erguida para ele por Renato Abreu.

Só que as diferenças entre os dois times são tão grandes, que talvez mesmo esses lances não salvariam o Flamengo. Renato Abreu, que cortou errado uma jogada e deu a bola de presente para Douglas fazer seu segundo gol, disse que o Flamengo perdeu porque errou e não porque o Corinthians foi superior.

Mas o Flamengo errou porque o Corinthians está superior neste momento. O título da Libertadores foi consequência desse trabalho árduo, que tem como um de seus resultados essa linha de impedimento que errou 2 duas vezes, mas acertou em outros 3 lances.

A sincronicidade corintiana foi conquistada às custas de uma eliminação prematura na Libertadores do ano passado e da manutenção de um trabalho bem feito, que permitiu a Douglas roubar a bola de Bottinelli para fazer o primeiro gol e aproveitar o erro de Renato Abreu para fazer o segundo, e Danilo ficar completamente desmarcado para receber uma bola redonda de Romarinho para fazer um golaço.

O Corinthians sobra. Como o lutador Anderson Silva está em alta no país e é patrocinado pelo Corinthians, talvez faça sentido uma analogia para os torcedores entender o que acontece com a equipe. Depois de tanto treino, de tantos jogos com adversários sempre acreditando que era possível tirar aquele único gol de vantagem que garantiu a imensa maioria das vitórias magras do Corinthians nos últimos anos, tudo fica muito lento à frente dos corintianos. Contra adversários desestruturados, que não sabem marcar, não têm um padrão de jogo e não contam com jogadores foras-de-série, tudo fica muito previsível.

Só não foi pior porque Emerson perdeu um pênalti, muito mal cobrado e defendido pelo goleiro Paulo Victor quando já estava 3 a 0, e porque a bronca dos torcedores do Flamengo, que a certa altura deram as costas ao gramado do Engenhão em protesto, não foi suficiente para queimar Adryan e Mattheus, 2 garotos que foram jogados aos gaviões quando a equipe já perdia por 2 a 0.

Joel Santana errou ao colocar Adryan no intervalo. Disse que "ou empataria o jogo ou perderia de 4". Esteve por 1 pênalti de acertar, mas errou. De novo.

domingo, 8 de julho de 2012

Jogo #71 Fluminense mandou no Fla x Flu do centenário como uma cadela no cio

O Fluminense foi muito Fluminense no Fla x Flu do centenário e venceu o Flamengo por 1 a 0, gol de Fred logo aos 10 minutos do primeiro tempo. Nascido "40 minutos antes do nada", o mais prestigiado clássico do Brasil completou 100 anos no sábado e se isso parece incoerente o desenrolar honrou a tradição: pressionado em seu campo de defesa praticamente em todo o jogo, mas ainda mais no segundo tempo, o Fluminense dominou o jogo.


Em nenhum outro jogo o Flamengo finalizou tanto e tão mal. O Flamengo conseguiu 17 finalizações, 2 certas. Só contra o Internacional a equipe conseguiu 17 conclusões, mas fez 3 gols. Desta vez, nada. O Fluminense se impôs com apenas 7 finalizações, 3 certas e 1 gol. O suficiente.


Como mostra gráfico em um post abaixo, Flamengo e Fluminense chegaram à 8a rodada com 2 dos ataques que mais fazem gols, mas entre as equipes com menor presença no ataque. No Fla x Flu do centenário, só o Fluminense conseguiu manter sua forma de jogar.

Como nos demais jogos, atacou pouco, fez o seu gol e, depois, colocou à prova a eficiência de sua defesa. Ou seja, mesmo sob pressão, o jogo aconteceu como o Fluminense quis, e sua equipe ainda saiu vitoriosa. "O Fluminense mandou no jogo como uma cadela no cio", digo eu pensando em Nelson Rodrigues, que me perdoe por isso. Conto com seu bom humor após a vitória consistente do seu Tricolor.

Em sua proposta de testar seguidamente sua defesa, o Fluminense falhou 2 vezes no segundo tempo. Aos 30 minutos, Magal cruzou da ponta esquerda, e Adryan cabeceou na pequena área raspando a trave esquerda; Aos 34 minutos, Adryan bateu escanteio e a finalização acertou a trave.

Me diga se mesmo sem se lançar ao ataque o Fluminense não controlou o jogo: no segundo tempo, o Flamengo finalizou aos 7 minutos, fraquinho, com Renato Abreu, e só voltou a fazer um chute a gol aos 30 minutos...

O Fla x Flu do centenário celebrou o passado apontando para o futuro. O Fluminense se deu ao luxo de substituir Fred (aos 3o minutos do segundo tempo), Deco (aos 33) e Thiago Neves (aos 37), deixando a responsabilidade de segurar o resultado à sua nova geração.

Mais adiantado na reformulação de seu elenco, o Fluminense venceu também essa disputa. O Flamengo colocou em campo Arthur Sanches, zagueiro de 24 anos, Adryan, meia de 18 anos, e Mattheus, filho de Bebeto, que fez 18 anos no sábado, aniversário do Fla x Flu. Não venceu desta vez, mas mas mostra que está se preparando para os próximos 100 anos.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Jogo #68 'Folha verde' de Renato Abreu foi apenas um dos brilhos na vitória do Flamengo sobre o Atlético-GO

Quem gosta de história do futebol já ouviu falar da "folha seca", que ficou célebre em cobranças de falta de Didi no Botafogo, no Real Madrid e na seleção brasileira. Basicamente, a bola sobe, encobre a barreira e ao mesmo tempo em que vai perdendo altura, vai fazendo uma curva para a direita ou para a esquerda, dificultando a vida do goleiro, "como uma folha seca caindo de uma árvore".

Mesmo em um jogo modorrento como Flamengo 3x2 Atlético-GO, Renato Abreu brilhou com duas cobranças perfeitas de falta. Na segunda cobrança, fez um gol com uma dessas "folhas secas". A bola nem subiu muito, mas o suficiente para encobrir a barreira e cair no canto direito do gol, sem qualquer chance de defesa para o goleiro. Foi o gol da vitória do Flamengo, o terceiro, aos 15 minutos do segundo tempo.

O Atlético-GO tinha marcado primeiro, aos 27 minutos do primeiro tempo, com uma linda bola levantada por Eron para finalização de Felipe no ângulo esquerdo. Fez outro, também com Felipe, que completou entre as pernas do goleiro Paulo Victor um excelente passe de Elias, aos 34 minutos, depois da "folha seca" de Renato Abreu.

Mas o que me fez lembrar da "folha seca" foi a "folha verde" de Renato Abreu no primeiro gol do jogo.

O termo "folha verde" não existe (ou não existia e talvez não volte a existir) ligado a um jogo de futebol, mas é uma analogia possível visto o que Renato Abreu conseguiu no gol de empate, aos 34 minutos de jogo, quando os flamenguistas já vaiavam a equipe no Engenhão.

A cobrança foi feita na frente da meia-lua. Quando a bola passou ao lado da barreira, ela estava na altura do joelho dos jogadores e, normalmente, iria cair mais, no canto de baixo. Mas a cobrança de Renato Abreu subiu, "como uma folha a nascer em um galho". Raro o efeito que ele conseguiu colocar na bola em um espaço tão curto. Um golaço.

Mesmo esses 2 golaços não encobriram a participação do meia Adryan, de 17 anos, no segundo tempo.

Levando em conta que o Flamengo venceu, a maior vantagem de ter feito um primeiro tempo ruim e a torcida ter vaiado foi Adryan [o chamam de Ádrian] ter entrado no intervalo com o time sob pressão e se destacado desde o primeiro lance.

Com 32 segundo em campo, já disparou pela direita e cruzou para finalização de cabeça de Diego Maurício, no meio do gol, bem defendida.

Aos 6 minutos, bateu escanteio da esquerda para finalização de Marllon de cabeça para fora.

Aos 9, recebeu uma bola no meio-campo, segurou com tranquilidade entre 3 marcadores e soltou corretamente para Ibson.

Aos 11, após uma toca de passes pela direita, Amaral recebeu e da direita da grande área cruzou na medida para finalização de primeira de Adryan, com a perna esquerda.

Aos 13, fez uma antecipação defensiva, tomou a bola na direita, acelerou para o meio e colocou em profundidade para Vágner Love disparar e sofrer uma falta. Na cobrança, saiu o gol da vitória, de Renato Abreu, a "folha seca". Já ouviu falar?

Ps. Queria acabar o texto com a folha seca do início, mas Adryan fez outra finalização aos 18, completando pela direita, de fora da área, em cima do goleiro, um assitência de Ibson. Olho nesse garoto!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Jogo #24 Flamengo joga com a bola no chão, mas empata com a Ponte em cruzamento


Em um gramado bem encharcado durante toda a partida, o Flamengo tentou ao máximo jogar com a bola no chão. É uma característica da equipe, que nas duas primeiras rodadas foi a quarta que menos ergueu bola sobre a área adversária.

E curiosamente, na última que ergueu contra a Ponte Preta, em Campinas, conseguiu seu gol de empate em 2 a 2, aos 47 minutos e 57 segundos do segundo tempo. 

As emoções da Libertadores, quando a equipe esteve classificada e eliminada após os 90 minutos regulamentares, se fez presente no Brasileirão. Só que a torcida rubro-negra prefere não se lembrar desses momentos.

O Flamengo não é para cardíacos, e se seu o técnico Joel Santana parece estar o tempo todo na corda bamba, também parece levar a equipe toda com ele para lá.

As diferenças de estilos das duas equipes ficou mais clara no primeiro tempo, quando a Ponte Preta usou 17 vezes suas jogadas aéreas (1 finalização) enquanto o Flamengo usou 7 vezes (nenhuma finalização).

Mas como é mais comum, foi com a bola no chão que a Ponte chegou a seu gol, com Roger batendo para o meio da área, Magal furando feio o chute, por baixo da bola, e Renê Júnior completando tranquilo para o gol, aos 14 minutos.

Pressionado pelo placar, o time do Flamengo fez o oposto que faz a maioria das equipes: colocou a bola no chão. Entre o gol que sofreu e o que marcou, durante 14 minutos, o Flamengo ergueu apenas 2 vezes a bola, com Kléberson e Renato Abreu. A equipe confia muito na sua qualidade.

O Flamengo empatou aos 28, com Renato Abreu cobrando forte uma falta frontal. A bola desviou em Cicinho e entrou. O lance fez o hoje aposentado Zé do Efeito dar uma torcida na sobrancelha esquerda. A bola fez uma curva tão impossível, que quando o goleiro Edson Bastos tentou dar um tapa, ela já tinha passado por ele e entrado no gol.

Com o empate, o Flamengo só voltou a levantar a bola mais 3 vezes. A Ponte passou a ser mais presente no ataque, mas a marcação esteve bem colocada o tempo todo, bloqueando praticamente todas as jogadas de ataque. 2 bolas que passaram, foram em cima do goleiro.

Sem o lateral direito Léo Moura no segundo tempo, o Flamengo voltou a sofrer pressão. João Paulo e Nikão insistiram pela esquerda e por ali a Ponte Preta conseguiu seu segundo gol, aos 5 minutos. Nikão levantou uma cobrança de falta, Thiago Alves finalizou, o goleiro Paulo Victor deu um tapa, e a bola sobrou para o canhoto João Paulo acertar um chutaço com a perna direita.

Golaço. Quando a fase está difícil, até saci-pererê faz gol de bicicleta, e canhoto acerta um chute daqueles, de primeira, com a perna direita.

Para tentar melhor sorte, Joel Santana colocou Bottinelli no lugar de Kléberson. O argentino, que está insatisfeito com a reserva, foi muito mal. 

Bateu nas alturas 1 falta direta da intermediária, cobrou 2 escanteios que foram cortados pela defesa e não teve melhor sorte em 3 faltas levantadas.

E aí uma curiosidade: aos 44 minutos do segundo tempo, Negueba ia erguer sobre a área da Ponte uma falta da intermediária esquerda, chegou a ajeitar a bola, mas Bottinelli assumiu a cobrança em seu lugar. Mandou a bola cruzada para a linha de fundo. Aos 47'57", Negueba cruzou com a perna direita da ponta esquerda e Vágner Love completou para o gol. 

domingo, 27 de maio de 2012

Jogo #1 Cotovelada de Vágner Love marcou empate entre Sport e Flamengo

O Flamengo pode não ter começado bem o Brasileirão ao estrear apenas com um empate contra o Sport, apesar de jogar fora de casa. Mas Vágner Love mostrou logo na primeira rodada que não está para brincadeiras.

Em 3 finalizações, 1 foi para o espaço, de fora da área pelo lado direito, aos 25 minutos do primeiro tempo; perdeu 1 gol feito, aos 19 minutos do segundo tempo, após receber passe de peito de Deivid e completamente livre na esquerda da grande área chutar por cima quando o Flamengo já perdia por 0 a 1; e fez o gol de empate, com muita tranquilidade, após assistência precisa de Kléberson.

Ainda assim, para quem não é flamenguista, o que chamou atenção mesmo foi a cotovelada que deu e abriu o supercílio de Tobi, aos 19 minutos do primeiro, no meio-campo. Como Love ficou deitado no chão reclamando ter sido chutado por trás pelo adverário, nem cartão amarelo recebeu. Mas em um jogo fraco, foi o destaque. Negativo.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Uma ousadia: estatísticas no futebol


Começou mais uma temporada do futebol brasileiro, esta encoberta pela sombra da goleada por 4 a 0 sobre o Santos na final do Mundial de Clubes. O Barcelona manteve a bola no chão no Japão e baixou um pouco a bola de santistas e do futebol brasileiro. Às vésperas de ser sede de uma Copa do Mundo, acredite, isso é bom.

Há algum tempo, fala-se muito da superioridade do Barcelona. Incrivelmente, o Barcelona é diferente dos brasileiros pelo que não faz e não apenas pelo que ele faz.

O modo atual de jogar futebol no Brasil é um retrato do país do desperdício em que vivemos. A jogada mais recorrente por aqui é o cruzamento, quando mais se desperdiça a posse de bola. Coincidentemente, é muito pouco usado pelo Barcelona, que prefere manter a posse e recomeçar a jogada, mesmo que seja voltando a bola para o meio-campo.

No ano passado, assisti a 141 dos 380 jogos do Brasileirão. Acompanhei 24 jogos do Corinthians e 24 do Vasco, campeão e vice da competição.

O Corinthians fez 282 cruzamentos nessas partidas; 15% foram finalizados (43) e, sempre arredondando para facilitar a compreensão, 2% (2 em cada 100) transformados em gols (6). Não me parece um investimento muito atraente o rendimento de 2% ao ano, a não se fosse na Alemanha. É o mesmo obtido pelo Vasco. Em 18 jogos, o Flamengo fez gol em 6% dos cruzamentos.

Contra o Santos, o Barcelona finalizou 2 dos 5 cruzamentos que fez. Foram 3 dos brasileiros Daniel Alves e Tiago. Em média, o Corinthians faz 12 cruzamentos por jogo; o Vasco, 10. Ou seja, um gol a partir de cruzamentos a cada cinco jogos.

Com escanteios é a mesma coisa. Basta ocorrer a marcação de um escanteio para a torcida se inflamar, o que aliás parece ser a essência de haver tantas bolas levantadas: dar satisfação à torcida, mostrar que está colocando pressão no adversário, quando na verdade não está porque as jogadas são bem marcadas. Mas quem não arrisca não petisca, água mole em pedra dura etc. etc. etc.

O Corinthians cobrou 141 escanteios, normalmente levantando a bola na área; 9% foram finalizados (13) e 1% virou gol (2). Parece que um escanteio não é uma jogada tão perigosa assim, não é mesmo? O Vasco cobrou 139 escanteios, 20% foram finalizados (28) e 2% viraram gols (3).

Uma outra coisa que o Barcelona pouco faz é levantar na área uma falta ao redor da área. Prefere sair tocando para criar uma jogada. Não é à toa. O Corinthians levantou 103 bolas na área em cobranças de falta nos jogos em que acompanhei. 14% foram finalizadas (14) e fizeram 1 gol em 103 faltas levantadas. É para se pensar.

Ou seja, é a razão que leva o Barcelona a ter coragem de não desperdiçar a posse de bola. Explica em muito por que eles ficam tanto tempo com a bola. O Vasco fez 66 cobranças levantadas de falta e 1 gol. Uhm... 

Sem colocar nessa conta uma bola que possa ser rebatida e o gol sair no aproveitamento do rebote. Tomo por base o pênalti: se o goleiro rebate e acaba saindo o gol, conta-se como pênalti perdido, pois o rebote já é uma segunda jogada.

O melhor aproveitamento em faltas levantadas é do São Paulo: de 36 cobradas, 11% foram finalizadas (4) e 6% viraram gol (2). Isso em 14 jogos.

Mas nós podemos imaginar o que vai acontecer no estádio se na terceira falta na ponta esquerda não houver um "chuveirinho" na grande área para tentar a finalização.

Como sempre, somos reféns da nossa cultura.

Estatisticamente, até mesmo as cobranças diretas de falta a gol são um desperdício de posse de bola. O Corinthians cobrou 31 e não marcou nenhum gol nos 24 jogos que acompanhei. O Vasco cobrou 51 faltas diretas "em gol" e fez 1 único gol. É até fácil ver o aproveitamento.

O melhor aproveitamento foi do Internacional. Fiz 14 jogos deles, cobraram 12 faltas diretas e fizeram 2 gols. Aproveitamento de 17%. 

Meu projeto para 2012 é assistir a todos os jogos do Campeonato Paulista, o que não é fácil, pois são muitas rodadas no meio de semana, e do Campeonato Brasileiro. É um objetivo profissional.

Não existe estatística burra. Há dados relevantes e irrelevantes. Como um banco de dados é uma nuvem em que todas as informações estão disponíveis ao mesmo tempo, cabe ao analista jogar luz sobre elas para descobrir o que possa interessar. É o desafio que me impus após três anos de testes e aperfeiçoamentos de meu banco de dados e mais de 400 jogos acompanhados. Vamos em frente. O tempo é curto.