quarta-feira, 28 de março de 2012

Súmula do Paulistão tem erro importante

A súmula do jogo Linense 0x2 Mogi Mirim tem um erro importante. Ralata que, no Linense, Éder jogou com a camisa 15 e Rhayner com a 16. Só que eles jogaram com as camisas trocadas em relação à súmula. O árbitro foi Márcio Roberto Soares e o quarto árbitro, Kleber José de Melo.

Não seria nada demais não tivesse Rhayner levado um cartão amarelo aos 26 minutos do segundo tempo por agarrar Edson Ratinho.

Na súmula, o amarelo consta para Éder, que não levou cartão.

Se usar Éder por achar que ele não está suspenso, o Linense pode ser prejudicado por esse erro na súmula.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Primeira rodada 435 bolas levantadas para 8 gols

A IBM oferece na internet o Many Eyes, que permite criar infográficos para visualização de dados, uma proposta para facilitar a interpretação.

Hoje, arrisquei colocar lá os dados de totalização de jogadas aéreas na primeira rodada do Campeonato Paulista.

O resultado você visualiza aqui.

Em 10 jogos, houve 435 levantamento de bolas na área adversária. Foram 50 bolas levantadas frontalmente, 195 cruzamentos, 128 escanteios e 62 faltas levantadas.

Para se ter uma ideia de como essas jogadas são úteis, os 195 cruzamentos resultaram em 6 gols e os 128 escanteios, em 2. O São Paulo fez 2 gols assim, o Palmeiras, mais 2, e Comercial, Ituano, Mirassol e Paulista fizeram 1.

As demais 112 faltas e bolas levantadas não deram em nada.

Até porque o São Paulo não o deixou jogar, o Botafogo foi a equipe que menos vezes ergueu a bola, 7 vezes, e lidera o Troféu Barcelona de Toque de Bola.

É uma distorção que se resolve com as próximas rodadas, quando enfrentará outras equipes.

Em seguida aparecem Paulista e São Caetano, que usaram esse recurso apenas 10 vezes, e Ituano, Oeste e Santos, 11.

Além de perder em casa na estreia sem fazer gol, a Portuguesa foi quem mais recorreu às bolas levantadas: 43 vezes em uma única partida. No gráfico você vê o que seus jogadores tentaram.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Jogo #10 - Catanduvense 0 x 2 Mogi Mirim

Um bom jogo, com bola no chão e não violento. O Catanduvense colocou pressão no início, mas em seu primeiro lance de ataque, o Mogi Mirim fez 1 a 0 após erro de Ednei na saída de bola. Levou o bote, perdeu a bola, então houve assistência e gol.

O Mogi se aproveitou e passou a controlar o jogo. Além do gol, em 6 tentativas conseguiu 2 ótimas finalizações em que o goleiro fez defesas difíceis. O Catanduvense fez 7 finalizações, acertou o travessão e exigiu duas boas defesas do goleiro, levando mais perigo em suas jogadas pela direita.

Se não chegou ao empate no segundo tempo, não foi por falta de pressão: ainda aos 17 minutos, quando os técnico costumam fazer suas substituições, Roberval Davino perguntou a Alex Willian e a Washington se eles estavam cansados.

Fazia algum sentido. Em 6 minutos, o Catanduvense fez quatro finalizações, repetindo a pressão inicial para tentar o empate. Novamente não conseguiu.

Bem estruturado nessa estreia, o Mogi Mirim manteve a defesa fechada e trocou passes com maturidade graças à vantagem inicial. O Catanduvense apelou para as jogadas aéreas. Foram 7 cruzamentos, 5 escanteios, 3 faltas levantadas e outras 3 bolas erguidas na área.

Das 18 tentativas por cima, conseguiu 1 única finalização direta, mas seu ataque se posicionou bem para aproveitar as bolas rebatidas e conseguiu 6 finalizações assim. Em um bate rebate, Lucas Fonseca salvou o Mogi ao tirar de cabeça uma bola em cima da linha.

Mas, para piorar, nesse momento o Mogi Mirim já vencia por 2 a 0: Hernane entrou em velocidade após extraordinário lançamento de João Paulo de antes do meio-campo, protegeu bem a bola em relação ao marcador e bateu meio estranho, mas a bola quicou e entrou no canto.

Apesar de o Catanduvense ter se esforçado daí em diante, o jogo já tinha acabado aos 33 minutos. Metaforicamente.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Jogo #9 - São Caetano 1 x 0 Ponte Preta

Aos 33 minutos do segundo tempo, Renato Cajá cobrou uma falta da ponta direita para Gian cabecear da esquerda da grande área. Enquanto a bola viajava, três pessoas compraram sorvetes, um sorveteiro pegou uma moeda de 1 real que deixou cair, tornou a deixá-la cair, a pegou novamente, limpou no avental e sorriu enquanto a entregava para um menino, que sorrindo contagiado mostrou o troco recebido a seu pai, que torcia ora para a Ponte Preta ora para o São Caetano, dependendo da jogada, fazia algum comentário para o garoto e, invariavelmente, desarrumava o cabelo do guri, que ria.

A bola ainda subia e uma senhora atendeu o celular, disse ao interlocutor para ele não se preocupar, que faria pizza quando chegasse em casa e, sim, havia comprado alcaparras para colocar sobre o atum e a mussarela, como gostava ele (ou ela, porque só falava você, mesmo quando mandou um beijo ao final da ligação, então o interlocutor poderia ser também uma interlocutora, o que não me atrevi a perguntar, até porque estava mais interessado em saber o que aconteceria quando finalmente mais uma bola erguida pela Ponte Preta chegasse à área do São Caetano).

Na realidade, o primeiro tempo já tinha sido assim, lento. A Ponte Preta se fechou muito bem, a ponto de em alguns momentos o São Caetano não ter opção para sair da defesa e ser necessário tocar a bola para trás para a Ponte se movimentar para a frente e aí sim ser dado um bico para os jogadores do meio-campo tentarem trabalhar.

Mais de uma vez.

De seu lado, ao São Caetano pareceu bom que fosse assim. Mesmo jogando em casa -- e provavelmente por estar praticamente vazio o estádio --, não se afobou e fez um jogo rasteiro, no sentido literal. Nenhum cruzamento, 2 faltas levantadas, 2 escanteios.

E como a ironia é parte importante do futebol, ainda que me repita, foi em 1 escanteio que saiu o gol, apesar de a equipe ter apostado principalmente em assistências para chegar ao ataque.

O goleiro Lauro socou errado um escanteio, para a frente, Moradei emendou um bom chute, e a bola desviou na defesa antes de entrar. A equipe já tinha conseguido 1 bola no travessão e obrigado Lauro a fazer 1 boa defesa.

Apesar de 4 assistências e 11 finalizações, a Ponte Preta praticamente não esteve próxima de fazer 1 gol em momento algum.

As características opostas de São Caetano e Ponte Preta ficaram ainda mais evidentes no segundo tempo: o São Caetano levantou 6 bolas na área adversária (1 cruzamento e 5 escanteios) enquanto a Ponte usou a jogada aérea 26 vezes (12 cruzamentos, 5 bolas erguidas frontais, 6 escanteios e 3 faltas levantadas).

Isso só no segundo tempo.

Ao longo dos 94 minutos e 16 segundos, a Ponte levantou a bola na área do São Caetano 39 vezes. Mas não se pode dizer que fez isso em desespero: mesmo jogando na casa do adversário e perdendo por a 1 a 0, seus jogadores não levaram nenhum cartão amarelo.

Trata-se de uma característica, mesmo.

Em 13 bolas levantadas por Renato Cajá, houve apenas 2 finalizações, 1 de Guilherme, para fora, e outra a de Gian, na esquerda da grande área, sinuosa, após cobrança de falta levantada da ponta direita. Um lance que pareceu uma eternidade.

Quando Gian finalmente cabeceou a bola, a mandou cruzada, no ângulo, e assim como os sorveteiros, o menino que pegou o troco sorrindo, o pai que desarrumava o cabelo liso do garoto, a senhora que faria uma pizza de atum com mussarela (e alcaparras), a defesa do São Caetano ficou apenas olhando para onde iria aquela bola.

Sério! Ninguém se mexeu.

Cheguei a pensar que o goleiro Luiz iria se ajoelhar pedindo proteção, mas ele se manteve firme, torcendo (e talvez orando, quem sabe) para aquela bola tão lenta não entrar.

Durante todo o segundo tempo, o São Caetano trocou passes pacientemente, conseguiu 6 finalizações, sendo 3 originadas em assistências de um companheiro para a finalização de outro.

O futebol é curioso, mesmo, e vale a pena relembrar, a Ponte Preta levantou a bola na área adversária 26 vezes no segundo tempo, inclusive na cobrança de falta de Renato Cajá para a finalização de Gian. Ainda assim, das 10 finalizações que conseguiu, 3 também saíram de assistências, mesmo com o gramado molhado por uma chuva fina.

Em um jogo de poucas faltas, que também não me atrevi a contar, o São Caetano levou dois cartões amarelos no segundo tempo.

E levou ainda muita sorte, porque a falta cobrada da ponta direita por Renato Cajá com a perna esquerda, aos 33 minutos, para o cabeceio de Gian, depois de muito tempo foi finalmente bater no travessão.

Na sequência, Renato Cajá levantou mais uma vez a bola, para ninguém, e o goleiro Luiz fez mais uma defesa tranquila, assim como a vitória do São Caetano sobre a Ponte Preta por 1 a 0.

Jogo #8 - São Paulo 4 x 0 Botafogo

O São Paulo se impôs e não deu chances. Foram 16 finalizações contra 4 apenas no primeiro tempo, contando as faltas diretas, que não aconteceram. O Botafogo confiou no seu goleiro, jogou muito fechado, e Márcio fez ótimas defesas. (apesar de no segundo tempo cometer um erro estranho).

Mas o São Paulo tentou por todos os lados. Fernandinho pela esquerda, Luís Fabiano pela direita, e Cícero, mais pela esquerda, mas também de fora da grande área. Luís Fabiano parece lento, mas Lucas e Fernandinho estão muito velozes. Lucas ficou mais recuado e deu poucas arrancadas no primeiro tempo.

O segundo tempo não foi mais produtivo para o Botafogo. Foram 14 finalizações contra 4. Ou seja, 30 finalizações contra 8 em toda a partida. Foi pouco acabar 4 a 0, já que o goleiro Márcio fez cinco defesas bem difíceis, o que só não é mais curioso do que outro detalhe.

De todos os gols e defesas difíceis, 9 lances, apenas 1 não aconteceu pelo lado esquerdo da grande área, por onde o São Paulo encontrou seu caminho, tanto no primeiro quanto no segundo tempo.

Lucas cobrou escanteio para Rhodolfo cabecear da esquerda no primeiro gol, Fernandinho cruzou para Cícero cabecear da esquerda no segundo e Tiago Ulisses bloqueou chute de Luís Fabiano e ao tentar cortar finalização de Edson Silva da esquerda, jogou a bola para dentro no terceiro.

O quarto gol teve um tempero especial. Antes da cobrança de um escanteio, o goleiro Márcio, do Botafogo, gritou "vamos tomar outro? Vocês quem sabem! Vamos subir!". Ele salvou a finalização que a defesa do Botafogo novamente não conseguiu cortar e ao tentar afastar com o pé, chutou em Tiago Ulisses, e a bola entrou novamente no gol.

Novamente Tiago Ulisses, assim como no terceiro gol. Que coisa... Acontece com as melhores defesas.

Jogo #7 - Bragantino 1 x 2 Palmeiras

Com 6 minutos, o Palmeiras já vencia por 1 a 0. Em mais uma de suas maravilhosas cobranças de bola parada, Marcos Assunção bateu escanteio da direita, a bola fez uma curva acentuada e ficou limpa para Leandro Amaro cabecear cruzado da direita da grande para baixo.

E, então, o Bragantino colocou uma falsa pressão sobre o visitante. Insistiu em bolas erguidas na área com 6 cruzamentos, 7 escanteios e 4 faltas levantadas.

Em um único lance o goleiro Bruno, do Palmeiras, fez uma defesa realmente difícil, após uma cobrança de escanteio e finalização que quicou no gramado molhado. O Palmeiras jogou fechado, teve alguma dificuldade nas bolas altas, mas não chegou a ser ameaçado. Além do gol, conseguiu mais 2 boas finalizações, defendidas pelo goleiro Rafael.

No segundo tempo, o jogo ficou bem mais rasteiro, até demais, apesar de o gol do Palmeiras ter ocorrido em um excelente cruzamento de Valdivia com a perna esquerda. Sem preconceito contra os cruzamentos eficazes.

Na segunda metade do jogo foram mostrados 9 amarelos, sendo 5 para o Bragantino e 4 para o Palmeiras.

No jogo todo, foram 7 amarelos para o Bragantino sendo 4 deles por faltas bem duras em Valdivia (1 e 3). O Palmeiras já sabia da força das jogadas aéreas do Bragantino e conseguiu reduzir os espaços no campo, compactando a equipe, segundo disse Murtosa no intervalo. Felipão estava suspenso e só assistiu ao jogo de uma cabine.

Realmente, foram 2 cruzamentos, 3 escanteios e 1 falta levantada no segundo tempo contra 6-7-4 no primeiro tempo. Além do gol de pênalti, o Bragantino conseguiu 5 finalizações e uma cobrança de falta que obrigou o goleiro Bruno a ótima defesa.

O Palmeiras finalizou 8 vezes e fez um gol, de Maikon Leite com o gol aberto, e obrigou Rafael a 1 defesa bem difícil, no reflexo, e 2 outras defesas menos complicadas.

Jogo #6 - Comercial 3 x 4 Linense

Nem a cor do calção. Nem as listras vermelhas horizontais da camisa. Ao final do primeiro tempo, todos os jogadores vestiam um mesmo uniforme, todo marrom do barro que ficou evidente em um ex-gramado alagado, com poças também evidentes que seguraram a bola em diversos momentos, mas não seguraram os ataques.

Em uma improvável boa partida em um barrão proibitivo, o primeiro tempo virou 3 a 2 em duplo sentido.

O Comercial abriu 2 a 0, com 1 gol logo a 1 minuto e outro aos 21. Em 7 minutos sofreu o empate e, depois, ainda permitiu a virada da Linense ao fazer um pênalti cobrado por Lenilson aos 46 minutos.

Com o barro no estado em que se encontra, ficou mais fácil para Lenilson a cobrança de pênalti do que tirar as bolas das poças, o que para Éder parece ser muito mais fácil: ele tem uma incrível categoria para conduzir a bola no barrão alagado.

Pensando agora, foi um primeiro tempo de improváveis acontecimentos.

O primeiro foi realizar o jogo com o barrão nessas condições. Se tiver qualquer dúvida sobre o que poderia ter acontecido, é só ver o lance de Luís Augusto, aos 4 minutos. Seu pé direito ficou preso e ele sofreu aquela queda em que todo o peso do corpo vai caindo sobre o joelho e o tornozelo dobrados em um ângulo impossível. Mas que aconteceu.

E por um motivo improvável, ele não se machucou.

Depois, no primeiro gol do Comercial, Rossato cruzou e, apesar de o gol estar aberto, a bola foi cabeceada para a direita, depois para a esquerda da grande área, para, aí sim, Rafael Tavares finalizar.

Em um tilt da defesa da Linense, uma bola lançada da defesa foi recuada errada para o goleiro, que acabou fazendo pênalti em Eliomar Bombinha. Rossato esperou o goleiro escolher o canto e então deu um toquinho no meio do gol. Tem de conhecer muito o barrão para fazer uma cobrança assim. Eu teria medo de a bola parar ali no meio do caminho à espera da recuperação do goleiro.

Com sua categoria para se movimentar sobre a lama, Éder recebeu assistência de Lenílson da esquerda e bateu da direita da grande área, de primeira e à meia altura, sem chance para o goleiro.

E, então, mais uma vez uma bola saída da defesa acabou virando gol, só que agora no estilo bumerangue. A defesa da Linense devolveu do meio-campo uma cobrança de tiro de meta, Chimba recebeu, driblou o goleiro e empatou.

O Comercial fez um terceiro gol. A bola de Bombinha ia entrando no gol, mas, por impulso, Romerito a acompanhou estando em posição de impedimento. É até discutível se ele tocou ou não tocou na bola, mas deveria ter ficado parado onde estava e só se mexido depois que a Linense tivesse reiniciado o jogo do meio-campo. No popular: deu mole.

Nos acréscimos, Lenilson marcou de pênalti sem dar chance para o goleiro, que pulou para o outro lado enquanto a bola ia para a esquerda. Os dois goleiros ainda evitaram 1 gol cada. Não há dúvida: com o barro encharcado, foi um improvável ótimo primeiro tempo.

E, realmente, não era dia do Comercial.

Duvida? Então dê uma olhada em lance aos 41 minutos. Após duas divididas, a defesa da Linense foi estourar a bola para longe, a bola rebateu em um atacante, cruzou todo o gol e saiu raspando a trave.

Se for pouco, após outro estouro de defesa, aos 45 minutos, Tyago Marques acertou um lindo chute cruzado de fora da grande área, à esquerda, e o goleiro Matheus espalmou para fora. Vale lembrar ainda que Matheus entrou após a expulsão de Douglas, que fez ótimas defesas e dois pênaltis, pelos quais recebeu dois cartões amarelos. O segundo aos 13 minutos do segundo tempo.

Mas aos 25, Marcel também foi expulso por fazer pênalti. Deve ter sido castigo dos deuses dos estádios, afrontados pelo péssimo estado do barro que tomou conta do campo que vai abrigar todos os jogos do Comercial neste Paulista.

Um péssimo sinal ter de atuar nessas condições, por mais dedicada que a equipe seja, com suas 26 bolas levantadas no segundo tempo contra 11 da Linense. Vai ser uma temporada dura e o time do Comercial vai acabar preferindo ser visitante.

Em casa, levou 4 gols e a Linense ainda desperdiçou 2 gols feitos, com Chimba e Lenilson, que não conseguiu driblar o goleiro. Aliás, foi um dos que mais sofreu com esse ex-gramado.