terça-feira, 9 de outubro de 2012

Jogo #277 Pressão insuportável do Grêmio no 2º tempo causa 2 erros da defesa do Cruzeiro e 1 de auxiliar que dá impedimento em lateral


Quem nunca jogou futebol não consegue ter ideia do desgaste mental que a movimentação dos adversários causa em quem se propõe a fazer uma marcação defensiva séria. Evidentemente, quem já jogou futebol, mas só se preocupou com o ataque, também não faz ideia do que se trata.

Não é à toa que equipes como o atual Fluminense aproveitam a vantagem no placar para recuar e exercitar a defesa. Enquanto suportam a pressão do adversário, se condicionam. E cada vez mais o futebol brasileiro, sem abrir mão da qualidade ofensiva, sua característica internacional, exige aplicação defensiva. É o que difere os clubes que têm condições de ser campeões dos que não têm.

É um caminho sem volta.


E a insuportável pressão que o Grêmio fez no segundo tempo do confronto contra o Cruzeiro, no Olímpico, deixou esgotado até mesmo quem só assistia à partida. O que dizer então da defesa cruzeirense e, pior, muito pior, do auxiliar-bandeirinha Rogério Pablos Zanardo e do árbitro Jailson Macedo Freitas.

A começar pelo pior, muito pior.

Aos 9 minutos e 34 segundos do segundo tempo, com o Grêmio perdendo por 1 a 0 em casa, o estádio abarrotado e o Grêmio já exercendo sua pressão, que já tinha causado 2 cartões amarelos para os cruzeirenses Léo e Thiago Carvalho por faltas em Kléber depois do intervalo, Anderson Pico levantou a bola da esquerda da intermediária, e o auxiliar Rogério Pablos Zanardo não marcou impedimento do atacante.

A defesa cruzeirense se recuperou, desarmou Kléber e se voltou para o auxiliar, que parece ter sentido a pressão.

Apenas 17 segundos depois, Zanardo marcou impedimento de Kléber ao receber um arremesso lateral (só para lembrar, não existe impedimento em arremessos laterais). Para piorar, muito piorar, o árbitro Jailson Macedo Freitas confirmou o impedimento. E, aí, foi o time do Grêmio que se revoltou.

Enquanto Zanardo gesticulava que se concentrava na posição da linha de impedimento do Cruzeiro, o árbitro se deu conta do que havia feito e deu bola ao chão.

Lamentável.

A pressão era tamanha que nesses quase 10 minutos, o mais longe que a bola esteve da defesa do Cruzeiro foi a linha do meio-campo ou pouco depois dela. Só dava Grêmio no ataque, Grêmio no ataque, Grêmio no ataque.

E assim continuou, com exceção de 1 bola levada ao ataque pelo Cruzeiro, prontamente devolvida, e de 1 paralisação do jogo, aos 7 minutos, quando Leandro caiu sobre o tornozelo direito de Pará, um lance que acabou mudando o jogo. Aos 11 minutos, Pará teve de ser substituído e em seu lugar entrou Diego Renan.

A pressão deu resultado aos 21 minutos, quando foi a vez de a defesa cruzeirense errar a marcação de 1 impedimento. Os defensores saíram em bloco para deixar Marcelo Moreno impedido pela direita, mas Diego Renan, que tinha entrado 10 minutos antes, ficou parado e deu condições de jogo para Marcelo Moreno receber bola levantada por Marco Antônio da direita da intermediária, entrar livre na grande área e tocar por cima do goleiro Fábio, que saía da pequena área, mas parou no meio do caminho. Golaço de Marcelo Moreno.

Mesmo com o empate, o Grêmio continuou encurralando o Cruzeiro. Em momentos assim, os defensores agem apenas por condicionamento. Não há o que pensar. Cada um marca seu espaço e garante estar sempre em uma posição melhor que o adversário, em melhores condições para chegar primeiro na bola.

Mas aos 32 minutos, Marquinhos levantou bola da defesa, ela foi para Marcelo Moreno na intermediária central, Léo conseguiu mais 1 vez chegar primeiro. Marcelo Moreno persistiu, chegou antes e com o corpo ganhou de Everton. Léo deu outro bote, mas errou. Foi fatal.

O toque de Léo foi nos pés de Leandro, que avançou pela direita e bateu cruzado tirando do goleiro Fábio, que caiu e deu um tapa na bola, mas o rebote ficou na medida para Marquinhos, que tinha começado a jogada lá no campo defensivo e acompanhou toda a evolução da jogada. Com o pé esquerdo, quase passando da bola, Marquinhos tocou para o gol vazio.

Para quem gosta de destacar a importância de Elano e Zé Roberto neste time do Grêmio (como é o meu caso aqui no fSc), o Grêmio de Vanderlei Luxemburgo mostrou que apesar de isso ser verdade, a equipe está preparada para enfrentar dificuldades sem eles, também.

Foi o que aconteceu na vitória de virada por 2 a 1, sob forte chuva, contra o Cruzeiro, no Olímpico. Quando Elano saiu, o placar era de 0 a 0, mas quando Zé Roberto foi substituído, o time já perdia por 1 a 0. Aos 26 minutos do primeiro tempo, Anselmo Ramon recebeu na ponta esquerda, dominou, fez um giro e acertou um chutaço. O gramado estava encharcado, e a bola quicou abaixo do goleiro Marcelo Grohe, surpreendido pela violência do chute.

Elano deixou o campo logo aos 10 minutos de jogo e foi substituído por Marquinhos, e Zé Roberto foi substituído no intervalo por Leandro.

E junto com toda a pressão dos companheiros, os 2 substitutos decidiram o jogo, mostra evidente de que a equipe está muito bem preparada para a reta final.

Próximos jogos do Grêmio no Brasileirão:

Sport (f)
Botafogo (c)
Fluminense (f)
Coritiba (c)
Bahia (f)
Ponte Preta (c)
São Paulo (c)
Portuguesa (f)
Figueirense (f)
Internacional (c)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Jogo #276 Torcedor do Galo nunca esquecerá atuação de Ronaldinho Gaúcho contra o Figueirense, mais perfeita com derrota do Cruzeiro

A essência do futebol: o Atlético-MG disputa o título do Brasileirão-2012 também com o Grêmio, terceiro colocado, ainda assim, a torcida do Galo comemorou o anúncio no estádio da virada gremista sobre o eterno rival Cruzeiro, no Olímpico.

Afinal, qualquer atleticano concordaria: o Galo podia vencer por 20 a 0 o Figueirense, mas para o sábado ser perfeito, o Cruzeiro tinha de perder. Seria assim mesmo que o adversário do time azul fosse o Fluminense, com quem o Atlético-MG disputa o título em desvantagem de 6 pontos, apesar da goleada por 6 a 0 sobre o Figueirense, no Independência.

E incrível também que o melhor desempenho de Ronaldinho Gaúcho desde 2006 tenha ocorrido como uma espécie de homenagem pela morte de seu padrasto, um dia antes do jogo. A tecnologia, a fisiologia podem ser desenvolvidas o quanto for, mas dentro das camisas haverá sempre gente.

E Ronaldinho Gaúcho voltou a encontrar a motivação perdida por aí e deu um espetáculo inesquecível para quem estava no Independência ou à frente da televisão. Marcou 3 gols (o primeiro sensacional, seguido de um choro incontível), fez 1 assistência para gol de Bernard e bateu 1 falta levantada para Réver fazer de cabeça. O outro gol foi feito por Carlos César depois de passe de Jô.

Além do espetáculo em si, o Atlético-MG saiu de campo como o melhor ataque da competição, com 47 gols marcados em 28 jogos. Um estímulo extra para tirar o título do Fluminense.

O time carioca fez 330 finalizações em 28 jogos. Dessas finalizações, 13,64% viraram gols.

O Galo fez 396 finalizações em 28 jogos. Dessas finalizações, 11,87% viraram gols.

Os números são mais um indicativo de como o Fluminense vem sendo cirúrgico em suas partidas. Nenhuma outra equipe tem um aproveitamento tão grande de gols por finalizações.

Só na forma como Ronaldinho Gaúcho voltou a ser Ronaldinho Gaúcho no sábado, é um novo campeonato que começa. O Atlético-MG recebe o Fluminense no Independência no dia 21 de outubro.

Veja os próximos adversários das equipes:

>>Atlético-MG
Internacional (f)
Sport (c)
Santos (f)
Fluminense (c)
Flamengo (c)
Coritiba (f)
Vasco (f)
Atlético-GO (c)
Botafogo (f)
Cruzeiro (c) - só torcedores do Atlético-MG estarão nesse jogo

>>Fluminense
Bahia (f)
Ponte Preta (c)
Grêmio (c)
Atlético-MG (f)
Coritiba (c)
São Paulo (f)
Palmeiras (f)
Cruzeiro (c)
Sport (f)
Vasco (c)


Jogo #275 Fred mantém média de 1 gol a cada 3 finalizações na vitória do Fluminense sobre o Botafogo, prejudicado pela arbitragem

Até pouco tempo atrás (o marco para mim é a instituição do sistema de pontos corridos no Campeonato Brasileiro, em 2003, quando o futebol brasileiro mostrou ter maturidade suficiente para receber a Copa do Mundo), os clubes que queriam ser campeões buscavam investidores/patrocinadores, gastavam o que podiam e o que não podiam, tiravam o máximo e mais um pouco dos jogadores que tinham, e faziam de tudo para conquistar o título.

Isso mudou, as verbas cresceram, investiu-se forte em estrutura, adotou-se o planejamento e os clubes deixaram de ir "além do máximo" porque diferentemente do que acontecia até então, o investimento de cada ano tem de deixar um legado para os anos seguintes.

E este time do Fluminense é o maior exemplo disso. De forma pra lá de organizada, ele faz o mínimo, com o máximo de eficiência.

Ofensivamente, desde o início do campeonato está entre as equipes que menos chutam em gol, mas tem o ataque que mais gols fez.

Defensivamente, a equipe assume os riscos de ter o adversários muito próximo de seu gol, o que fica mais claro depois que consegue uma vantagem mínima no placar. Afinal, não há melhor momento para correr riscos do que quando se está vencendo. Se algo de errado, volta-se ao empate e o jogo recomeça "do zero".

O Fluminense é como o rato que sai do buraco para aprender os movimentos do gato, como naqueles desenhos do Tom & Jerry. O rato se dá bem porque descobre que o gato é previsível.

Então, na prática, quando o Fluminense tem uma vantagem, ele "treina" a sua defesa. Não é um menosprezo. O sistema defensivo passa a praticar à exaustão a discliplina, a concentração, o rigor, a organização. Ao invés de buscar uma goleada, pratica-se o defender-se.

Não foi apenas por coincidência que Seedorf disse ao final do jogo "Eles são os primeiros na classificação, time que (...não compreendi...) uma oportunidade para fazer a diferença. Eu acho que falta essa maturidade para saber que esses momentos fazem a diferença nesses grandes jogos." 

O Fluminense tem maturidade, como reforçou Andrezinho. Quando se encontra um adversário mais duro pela frente, a defesa do Fluminense já está forjada, consegue manter a concentração. Se algo der errado, e o time ficar em desvantagem no placar, a equipe está pronta para absorver o golpe. Mas a desvantagem raramente acontece.

Me perdoem os descontentes com a comparação, mas foi o que fez o Corinthians durante o Brasileirão do ano passado e mais ainda no Campeonato Paulista deste ano para conquistar a Libertadores-2012. Vencia por 1 gol de vantagem e vivia sob pressão para se manter pronto para ela. O Fluminense aplica a mesma cartilha e vai conquistando os pontos para buscar ao título deste ano.

Onde parece haver falta de produtividade, há estratégia; onde parece haver sufoco, há condicionamento; quando parece que o Fluminense está acuado, ele está no controle. Nem que seja das próprias emoções, o que não é pouco. Não é por acaso que o Fluminense é pressionado praticamente em todo jogo, mas ainda assim tem a melhor defesa do campeonato.

Para o Fluminense, a melhor defesa é a defesa bem feita. 

O Botafogo pressionou desde o início e teve a última bola do jogo, com Andrezinho. Mas o Botafogo dono do quarto melhor ataque do Brasileirão (mas que tinha o segundo melhor ataque no início da rodada) não conseguiu fazer 1 gol sequer. 

Em toda a partida, o Botafogo fez 12 finalizações. No primeiro tempo, foram 5, sendo 4 certas. Em 2, o goleiro saiu nos pés de Elkeson; nas outras 2, as finalizações foram em cima do goleiro. Falta espaço para mais. Foi se desgastando fisicamente, perdendo a confiança, e no segundo tempo, o Botafogo fez 7 finalizações, mas nenhuma delas foi no gol. Zero.

Com o Fluminense foi o contrário. Finalizou 4 vezes no primeiro tempo, nenhuma no gol; no segundo tempo, finalizou 9, sendo apenas 2 certas e fez 1 gol. Na outra, o goleiro Jefferson fez ótima defesa (quando o jogo estava 0 a 0). Depois de abrir vantagem, o Fluminense fez 3 finalizações apenas, mas todas para fora.

O Fluminense também está muito treinado e as jogadas saem com naturalidade, exigindo poucos passes. 

O gol saiu aos 29 minutos, em um contra-ataque fulminante. Gabriel levantou a bola no ataque do Botafogo, dois tricolores tocaram de cabeça mandando a bola para a frente, a sobra ficou com Fred, que passou para Wellington Nem avançar pela intermediária direita na corrida e passar de volta para Fred, que dominou com o pé direita e bateu com o esquerdo entre as pernas do goleiro.

Tinha acontecido uma jogada muito parecida aos 17 minutos, em que Jean ficou completamente livre na intermediária direita e passou para Wellington Nem, que errou o passe para Fred. Pouco depois, Oswaldo Oliveira tirou Fellype Gabriel e colocou Lodeiro, supostamente porque Fellype Gabriel demorou para voltar para recompor a defesa.

Não adiantou. O gol saiu em jogada idêntica porque os adversários do Fluminense entram em campo mais pressionados do que o líder em busca da vitória, já que o Tricolor tem 6 pontos de vantagem na classificação e pode jogar no contra-ataque. Está podendo empatar, até perder. O Fluminense está podendo.

É um jogo muito inteligente o do Fluminense.

O resto são os detalhes de qualquer jogo, mas que ganham dimensão nas partidas mais importantes: aos 33 minutos do primeiro tempo, Elkeson avançou pela direita da grande área e Digão pisou em seu pé de apoio quando preparava um chute. Pênalti não marcado, difícil de ser visto.

Aos 17 minutos do segundo tempo, Andrezinho cruzou da ponta esquerda, Bruno estava com o braço aberto na grande área e a bola foi desviada por ele. O árbitro interpretou como bola na mão.

Aos 44 minutos do segundo tempo, em um lance muito rápido e difícil de ser marcado, Valencia estava com o braço junto ao corpo, mas quando a bola ia escapar dele, Valencia abriu o cotovelo e mudou a trajetória da bola.

O árbitro Felipe Gomes da Silva, que só tinha trabalhado 1 vez neste Brasileirão e como árbitro adicional, fez o que lhe pareceu melhor em seu jogo de estreia no apito. Talvez só não fosse o melhor árbitro para apitar jogo como este.

sábado, 6 de outubro de 2012

Jogo # 274 Palmeiras desmonta frente ao São Paulo, que além de talento e entrosamento mostra ter muito mais sorte do que o rival

Quem foi que disse? "Quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho." A frase é atribuída a alguns grandes campeões e serve muito bem para o São Paulo, que esbanjou competência contra o Palmeiras, goleou impiedosamente, mostrando todo o talento ofensivo e defensivo do Tricolor.

É o típico caso de superioridade técnica tão grande, que poderia até mesmo abrir mão da sorte. Mas pra quê? Sorte nunca é demais.

Ela esteve presente no primeiro gol do São Paulo: aos 34 minutos, arcos Assunção bateu escanteio da direita, Luís Fabiano cortou, Jadson lançou do meio-campo para Lucas, que deixou Márcio Araújo deitado com um corte seco, bateu cruzado e chutou na trave. Claro, a bola poderia ter entrado, mas poderia ter batido na trave e saído ou a defesa do Palmeiras ter cortado.

Mas não.

Luís Fabiano, que tinha cortado a cobrança do escanteio, chegou à pequena área e a bola sobrou para ele empurrá-la para o gol. Ela procura quem conhece. E tem humildade para fazer o que Luís Fabiano fez. Foi premiado.

Também foi premiadíssimo Denilson. Aos 41 minutos, Jadson bateu escanteio da direita, Maurício Ramos cortou para longe, a bola ficou para Denilson, que da intermediária acertou um chutaço de curva, a bola foi saindo, saindo, também bateu na trave e entrou no ângulo direito.

Golaço.

Foi 1 grande prêmio para a persistência de Denilson, que só neste Brasileirão já tinha tentado 9 finalizações da intermediária. As defesas de Corinthians, Náutico e Portuguesa já tinham cortado 3, goleiros de Santos, Grêmio, Interancional e Cruzeiro já tinham defendido 6, mas na décima tentativa, o goleiro Bruno, do Palmeiras, não teve o que fazer. A bola podia ter batido na trave e voltado para o campo, mas desta vez ela entrou no gol.

Sorte. Sorte de quem trabalha sério. Sorte da torcida do São Paulo, que tem 1 atleta do nível de Denilson.

Mas para como são o talento e o trabalho duro que decidem, antes da sorte, aos 24 minutos do segundo tempo, Paulo Miranda fez um excelente passe para Luís Fabiano acertar um chutaço da direita da grande área na direção de Bruno. A pancada foi tamanha que quando o goleiro esboçou reação, a bola já estava estufando a rede.

Sorte. Sorte de Bruno que a bola não acertou a cabeça ou o peito dele. Poderia ser danoso à integridade física do goleiro.

A partir daí, a torcida do São Paulo embalou o time com gritos de olé, já na esperança de que o clube volte à Libertadores no ano que vem.

Só para deixar 1 exemplo de como a sorte é sempre bem-vinda: aos 40 minutos, Marcos Assunção tropeçou na bola ao tentar 1 corte, e ela sobrou limpa para Denilson na direita da grande área. Só o goleiro à sua frente, mas Denilson não pegou bem na bola, que subiu demais e foi para fora.

Sorte. Sorte da torcida do Palmeiras, que acabou não sendo goleado apesar da diferença avassaladora entre as equipes.

Por falar em Palmeiras, o técnico Gilson Kleina fez o que se espera de quem comanda: chamou para si a responsabilidade pelo resultado ao escalar o pesado Daniel Carvalho para enfrentar o veloz time do São Paulo.

Sem Maikon Leite, poderia ter usado Tiago Real, que em outros jogos fez crescer o volume de jogo do Palmeiras, ou Mazinho.

Diante do fracasso no primeiro tempo, voltou a chamar a responsabilidade, fez 2 substituições, tirou de campo Daniel Carvalho e Márcio Araújo e ficou com apenas 1 possibilidade de troca. Colocou Tiago Real e Luan e nada mudou. Depois, tirou Juninho, lesionado.


Artur foi expulso aos 7 minutos do segundo tempo; aos 35 Valdívia deixou o campo com uma lesão no joelho esquerdo. O Palmeiras ficou com 9 jogadores.

Mas aí, o São Paulo já vencia por 3 a 0. Foi um show do Tricolor para sua torcida. Nada menos do que 25 finalizações, 10 certas e 3 gols. Fora o show. 


Em toda a partida, o Palmeiras fez apenas 2 finalizações em gol em 15 tentativas. Muito pouco. Quase nada.

Vai precisar de muito mais do que sorte para se livrar do rebaixamento.

Jogo #273 Bruno Mineiro já é quase tão preciso quanto Fred a quem desbancou da artilharia, após goleada da Portuguesa contra Sport

"Jogou tão bem o Bruno Mineiro, com 3 gols na partida, que o Geninho vai colocar 2 jogadores no lugar dele?", questionou o ótimo narrador Linhares Júnior ao ver que o treinador da Portuguesa preparava 2 substituições após o atacante torcer o tornozelo na goleada por 5 a 1 sobre o Sport.

Acredito que tenha sido o melhor elogio possível para o novo artilheiro isolado do Brasileirão-2012, com 14 gols. Curiosamente, como bem destacou a transmissão, Bruno Mineiro é amigo íntimo de Fred, do Fluminense, por enquanto vice-líder dos artilheiros.

Será que Bruno Mineiro também desbancou Fred como "cirurgião-artilheiro", como o tricolor vem sendo tratado neste espaço?

Bruno Mineiro estreou pela Portuguesa na 14ª rodada e acabou com um mal que tomava conta da Lusa desde o Campeonato Paulista: uma equipe muito boa, que criava muitas jogadas de ataque, mas não tinha um goleador à altura. Para não dizer que Bruno Mineiro entrou e não saiu mais do time, ele foi substituído em 8 dos 15 jogos que disputou, mas nunca antes dos 34 minutos do segundo tempo (na média, aos 41 minutos do segundo tempo).


Fred, do Fluminense, tem 18 jogos, e foi substituído em 5 deles, na média aos 29 minutos do segundo tempo.


Em 15 jogos, Bruno Mineiro fez 49 finalizações, 24 certas, 14 gols.

Ou seja, a cada 2,04 finalizações de Bruno Mineiro, 1 é certa. A cada 3,50 finalizações, 1 é gol.

Em 18 jogos, Fred fez 41 finalizações (3 de pênalti), 24 certas, 13 gols.

Ou seja, de cada 1,71 finalizações de Fred, 1 é certa. De cada 3,15 finalizações, 1 é gol.

Peço desculpas pelas frias vírgulas matemáticas, mas são necessárias para explicar desempenhos tão semelhantes.

Não, Bruno Mineiro ainda não retirou de Fred o título de cirurgião-artilheiro, mesmo tendo sido titular menos vezes. É que Fred, realmente, toca muito pouco na bola. O único pênalti para a Portuguesa foi cobrado por Marcelo Cordeiro, que fez o gol contra o Internacional. Bruno Mineiro estava em campo, mas era apenas seu quinto jogo pela equipe e tinha marcado "apenas" 3 gols.

Evidentemente, nada disso diminui o que Bruno Mineiro fez contra o Sport, no Canindé, como genialmente resumiu o narrador Linhares Júnior. Ao contrário, a comparação com Fred mostra a capacidade do artilheiro, que estava no Atlético-PR. Um achado da Portuguesa, rebaixada no Campeonato Paulista deste ano e que agora tem ótimos motivos para trabalhar para se manter na Série A do Brasileiro.

Antes de Bruno Mineiro conseguir sua primeira finalização contra o Sport, a Portuguesa pressionou, e em 9 minutos de jogo conseguiu 4 finalizações: com Moisés, Rogério (que cabeceou cobrança de escanteio para ótima defesa do goleiro Magrão), Gustavo e Léo Silva (que acertou o travessão).

O técnico Geninho preparou tanto a Lusa para o ataque, como disse antes de o jogo começar, que o time se descuidou demais da defesa, sofreu 3 finalizações de cabeça e 1 gol.

Aos 13 minutos, Hugo cabeceou por cima; aos 15, fez o primeiro gol do jogo, completando cruzamento de Cicinho; e aos 20, Moacir cabeceou em cima do goleiro.

Em desvantagem no placar, a Portuguesa recuou completamente e se fechou, esperando passar a euforia do Sport. Então, passou às jogadas de segurança. Bruno Mineiro só foi conseguir sua primeira finalização aos 22 minutos, cabeceando para fora cruzamento de Luís Ricardo.

Em sua segunda finalização, empatou o jogo. Aos 24 minutos, recebeu passe de Ananias e emendou da direita da grande área.

A partir daí, as equipes pouco fizeram no primeiro tempo.

Bruno Mineiro só voltou a conseguir finalizar em gol aos 2 minutos do segundo tempo. E foi para virar o placar. Cobrança de falta de Moisés, Valdomiro desviou de cabeça, Bruno Mineiro chegou antes do goleiro, chutou na trave, a bola voltou nas mãos do goleiro Magrão, que a esperou, mas Bruno Mineiro se antecipou novamente e tocou para o gol.

O atacante estava atacado.

Ele voltou a ter 1 chance aos 15 minutos, completando para fora cruzamento de Rogério.

Voltou a finalizar aos 21 minutos e fez o terceiro gol: completou assistência de Moisés dominando a bola com o pé direito e chutando com o esquerdo, da esquerda da grande área. Sem chance para o goleiro Magrão.

A partir daí, o show ficou para seus companheiros. Ele não tentou mais nenhuma vez o gol.

Humilde.

E os companheiros fizeram a alegria da torcida. Aos 36 minutos, Moisés fez 1 golaço. Renan estava distraído, não percebeu que a bola havia sido tocada para ele e quando tentou dar um bico para o lado, a bola bateu na cabeça de Bruno Mineiro e sobrou para Moisés chutar no gol, mas o goleiro saiu bem da área, fechando o ângulo, rebateu, mas bola voltou para Moisés, que fintou o goleiro, driblou Renê e chutou para o gol vazio.

Depois da substituição de Bruno Mineiro, aos 43 minutos, ainda houve tempo para Luís Ricardo passar da ponta direita para Rodriguinho, que era 1 dos 2 jogadores que entrariam no lugar de Bruno Mineiro. Rodriguinho bateu de primeira, cruzado, para fazer 5 a 1, aos 44 minutos.

O Sport vai precisar de muita concentração para não ser rebaixado. E é bom a Portuguesa manter os pés no chão. Focada, encontrou seu norte. Ele se chama Bruno Mineiro.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Jogo # 272 Boas intenções dominam empate entre Flamengo e Bahia no Engenhão com poucas faltas cometidas e finalizações certas

O Flamengo deu espaço, o Bahia aproveitou como pode, os mais de 30 mil torcedores que foram ao Engenhão viram um bom jogo, mas saíram frustrados, já que ninguém queria ver o 0 a 0 no placar ao final da partida.

Mas foi um bom jogo mais nas intenções do que na prática.

Assim como aconteceu contra o Fluminense, o time do Flamengo apostou na técnica. Fez apenas 5 faltas em toda a partida, contra 24 do Bahia, que ficou ali pela média do que se vê no futebol brasileiro.

Como teve liberdade para armar suas jogadas, o Bahia acabou sendo mais perigoso, ainda que os números de finalizações das equipes possam passar uma falsa impressão de equilíbrio.

Mesmo jogando como visitante, o Bahia conseguiu 13 finalizações, sendo 5 certas. Mas as suas finalizações certas foram bem mais perigosas que as do Flamengo, que conseguiu 18 finalizações e também 5 certas.

Das 5 finalizações que conseguiram mandar realmente no gol, os flamenguistas chutaram 4 em cima do goleiro, com Renato Abreu e Léo Moura finalizando da intermediária no primeiro tempo e Adryan e Nixon, que entraram após o intervalo, chutando da esquerda da grande área, sem grandes dificuldades para o goleiro.

A única finalização que levou real perigo foi conseguida por Ibson, aos 47 minutos do segundo tempo. O volante aproveitou uma rebatida da defesa para completar da direita da grande área, o goleiro quase passou da bola, mas conseguiu esticar o braço e dar um tapa suficiente para que a bola não entrasse no gol. Ótima defesa de Marcelo Lomba.

O Bahia exigiu mais trabalho.

Gabriel conseguiu 4 das 5 finalizações do Bahia. Aos 18 minutos de jogo, recebeu passe de Neto e da direita da grande área acertou um chutão a meia altura, que o goleiro Felipe conseguiu espalmar para escanteio. Ótima defesa.

Aos 20 do segundo tempo, perdeu sua melhor oportunidade: recebeu um excelente passe de Kléberson, teve espaço e tempo para escolher o que fazer, bateu forte, no canto direito, mas em cima do goleiro Felipe, que salvou.

Nas outras 2, não foi perigoso.

Cláudio Pitbull teve a outra chance real de gol, aos 28 minutos do primeiro tempo. Roubou a bola no campo de defesa, disparou pela direita e chutou forte de fora da área, mas o goleiro Felipe espalmou para escanteio.

Na prática, foi isso: 1 chance real do Flamengo contra 3 do Bahia, em um jogo muito movimentado principalmente porque o Flamengo assumiu o risco de renunciar ao antijogo.

Não é pouco. Bom futebol não se pratica apenas buscando o ataque, e o Flamengo mostrou ótimo futebol ao combater o adversário sem recorrer às faltas. Foi louvável e mostra a evolução da equipe.

Jogo #271 Coritiba acerta 2 finalizações, faz 1 gol e derrota a Ponte Preta, que finalizou 4 válidas e acertou só 1, defendida pelo goleiro

O Coritiba venceu a Ponte Preta, mas as duas equipes vão ter de jogar muito mais do que fizeram no Couto Pereira para se manterem na Série A do Brasileirão.

Em toda a partida, a Ponte conseguiu apenas 4 finalizações, sendo apenas 1 certa, aos 29 minutos do primeiro tempo, quando Rildo tabelou com Renê Júnior, recebeu na esquerda da grande área e chutou em cima do goleiro Vanderlei, que saiu bem do gol, fechando o ângulo e evitando o gol ao espalmar a bola para o lado.

Foi quase tudo o que a Ponte Preta conseguiu na partida.

Aos 17 minutos do segundo tempo, Roger completou para o gol escanteio de cabeça, mas a jogada foi anulada porque a bola foi onde estava Renê Júnior, em impedimento e atrapalhando um defensor que tentava evitar o gol.

Aí, sim. Foi tudo o que a Ponte Preta conseguiu na partida.

A pressão que recaía sobre o Palmeiras agora pende para o lado da Macaca, que não vence há 6 rodadas, sendo 4 empates seguidos e 2 derrotas nos últimos 2 jogos, ambos sob o comando do novo treinador, Guto Ferreira. Nos 4 empates, em 3 a equipe era dirigida por Gilson Kleina e em 1 pelo interino Zé Sérgio.

Nessas 6 partidas, a Ponte Preta conseguiu 74 finalizações, sendo que 20 foram certas, apenas 10 exigiram defesas difíceis e 3 se transformaram em gols.

Incrivelmente, nesses 6 jogos a Ponte teve 4 gols bem anulados por impedimentos, 3 contra o Corinthians e 1 contra o Coritiba. Só 1 deles duvidoso, de Nikão, contra o Corinthians.

O ponte-pretano vai sendo sugado por um ataque de nervos.

Nos últimos 6 jogos, o Coritiba teve atuou com um novo treinador, Marquinhos Santos, que substituiu Marcelo Oliveira.

Foram 3 vitórias, 2 derrotas e 1 empate.

Nesses jogos, o Coritiba finalizou 67 vezes (1 de pênalti), sendo 21 certas, 8 defesas difíceis, mas 8 gols.

Dessas 67 finalizações, nada menos do que 16 (!) foram contra a Ponte Preta, mas apenas 2 certas.

Aos 14 minutos do primeiro tempo, Victor Ferraz recebeu na direita, levou a bola para a direita da meia-lua e cruzou na cabeça de Deivid. A cabeçada saiu tão forte que o goleiro Roberto só teve tempo de abrir o braço para dar 1 tapa na bola.

Aos 41, o Coritiba construiu 1 jogada que lembrou essa outra: Gil cruzou da ponta direita, e Deivid cabeceou de peixinho tão forte que o goleiro Roberto não teve tempo nem de se mexer.

Com a vantagem no placar, o Coritiba se dedicou à marcação, conseguiu 6 finalizações no segundo tempo, mas não acertou nenhuma no gol.